Muito antes dos sites, marcas e layouts, o Brasil já se comunicava por símbolos.
Quando falamos em folclore, costumamos lembrar das lendas e dos personagens curiosos que povoam o imaginário popular como o Saci, a Iara, o Boto-cor-de-rosa e o Curupira. Mas o folclore é muito mais do que isso: é um conjunto vivo de expressões culturais, transmitidas de geração em geração. Ele envolve músicas, festas, danças, dialetos, objetos, comidas e, claro, uma riquíssima comunicação visual.
No Dia do Folclore Brasileiro, celebrado em 22 de agosto, vale ir além das histórias e reconhecer o que o design tem a aprender com essas narrativas visuais tão potentes e profundamente brasileiras.
O que é folclore?
O termo “folclore” vem do inglês folk lore, que significa “sabedoria do povo”. Ele foi usado pela primeira vez em 1846, mas descreve práticas muito mais antigas: costumes, crenças e expressões que surgem espontaneamente nas comunidades e que moldam a identidade cultural de um povo.
No Brasil, o folclore foi sendo construído a partir do encontro entre três grandes influências: as tradições indígenas, os costumes africanos e a cultura europeia criando um imaginário simbólico único, diverso e visualmente riquíssimo.
Folclore é design de identidade
Cada personagem do folclore brasileiro tem uma marca visual reconhecível. O Saci tem uma perna só, gorro vermelho e está sempre envolto em redemoinhos. O Curupira tem cabelos de fogo e pés virados para trás. A Iara mistura corpo de mulher com cauda de peixe, com longos cabelos negros flutuando na água.
Esses elementos visuais não são por acaso. Eles têm um propósito narrativo, ajudam a contar a história mesmo para quem não ouve ou lê e funcionam como ícones culturais, tal qual logotipos de marcas. São exemplos de branding espontâneo, que conquistam memória afetiva e reconhecimento coletivo.
As cores do Brasil profundo
Além das formas, o folclore brasileiro é uma explosão de cor e textura. Basta observar festas como o Bumba Meu Boi, o Maracatu, o Reisado ou o Carnaval de rua do interior. São manifestações carregadas de significado visual: tecidos coloridos, bordados com brilho, máscaras pintadas à mão, padrões geométricos e traços simbólicos que dialogam com crenças, rituais e celebrações locais.
Essas estéticas populares servem de referência para muitas criações gráficas contemporâneas desde pôsteres e editoriais até identidade visual de marcas que querem se conectar com o Brasil real.
Cultura como linguagem visual
A arte popular brasileira está cheia de manifestações gráficas potentes:
→Xilogravuras e capas de cordel no Nordeste
→Pinturas corporais e grafismos em arte indígena
→Azulejos coloridos em festas religiosas
→Bordados, cerâmicas e bonecos de barro no interior
→Pichações e murais urbanos que reinterpretam lendas
Tudo isso é design. Um design que nasce da coletividade, do improviso, da oralidade. Que não segue regras de grids ou hierarquias fixas, mas que sabe como comunicar de forma eficaz e emocional.
O que o design pode aprender com o folclore
No mundo do design, buscamos constantemente criar experiências visuais que conectem, emocionem e transmitam valores. O folclore brasileiro já faz isso há séculos. Ele é, de certa forma, uma masterclass em storytelling visual.
E mais do que apenas “inspirar” esteticamente, o folclore nos ensina a criar com propósito. Ele mostra que identidade se constrói com símbolos fortes, com cores que representam algo, com narrativas que fazem sentido para quem vive aquela cultura.
Para marcas, criativos e designers, isso é ouro.
22 de agosto: um lembrete visual
Neste Dia do Folclore Brasileiro, celebramos mais do que histórias infantis ou datas escolares. Celebramos uma herança simbólica que mostra como a cultura brasileira sempre se expressou visualmente mesmo antes de sabermos o que era “design”.
É um convite a olhar para dentro, a reconhecer o valor das narrativas visuais que nascem das ruas, das comunidades, das tradições orais e populares. Porque quando o design se conecta com a cultura, ele não só se destaca, ele ganha alma.